DANÇA DE POSSESSÃO

Posted Nov 24, 2008 by Koelveitch / comments 0 comments / Print / Font Size Decrease font size Increase font size

"No Egipto, onde as danças eram tão múltiplas quanto elaboradas, elas traduziam, segundo Luciano, em movimentos expressivos, os mais misteriosos dogmas da religião, os mitos de..."

A GUEDRA é uma dança executada pelas tribos Berberes, sobretudo no sul marroquino, “Goulimine”. As atitudes e os gestos desta dança revelam-se de um simbolismo muito antigo. Por esse motivo, adquiriu o estatuto de um fenómeno cultural único em Marrocos, figurando sistematicamente no programa das manifestações folclóricas.

Para dançar a GUEDRA, homens com vestes azuis ou brancas e turbantes pretos tocam tambor com uma forte batida e mulheres vestidas de azul, com cabelos presos no alto da cabeça, com jóias e coroadas de conchas, reúnem-se em círculo, cantando e batendo o ritmo com as mãos e B'Sharra, movimentando as mãos e os dedos em delicados movimentos que simbolizam o amor, a paz e a bênção. Uma mulher “grande dama do Guedra”, saúda a areia, o céu e o vento, balançando seu corpo, abrindo os braços para abraçar a vastidão do deserto, põe-se a dançar ao centro, de pé, ajoelhando-se pouco a pouco. Ela está coberta por um ou dois véus que vão deixando ver a face progressivamente. Os braços esticados ou semi-flectidos à altura do busto, movimentam-se alternadamente para a esquerda e para a direita, mas é o trabalho exemplar das mãos e sobretudo dos dedos que caracteriza a GUEDRA. A cabeça balança lateralmente e as inúmeras tranças ornamentadas de pérolas e conchas que compõem o penteado tradicional destas mulheres agitam-se. O ritmo intensifica-se gradualmente, a respiração da dançarina torna-se ofegante.

Esta dança “fascinante” e “hipnótica” tem feito suscitar muitas interrogações e tem dado lugar a múltiplas interpretações. Muitos entendem-na como uma dança erótica, de um clima sexual intenso, sugerido pelo modo como a dançarina se move. Mas esta dança evoca também um hino à vida, simbolizando as etapas do nascimento pela emergência dos véus, da explosão vital da morte, pelo esgotamento da bailarina. A GUEDRA também pode pertencer às danças de possessão, uma transe muito particular de origem africana negra. Acrescente-se que Goulimine era um antigo centro caravaneiro e que os seus autóctones perpetuaram através desta dança a sua crença de possessão pelos génios, que se manifestam nos estados de transes.

Ahouch:

Dança colectiva com ritmo berbere; executada por aldeões do centro e do sul das Montanhas Atlas, dançam tocando instrumentos circulares feitos de pele de cabra.

Um homem chamado Raiss guia os homens da vila que tocam seus tambores, e algumas vezes flautas, enquanto rapazes e moças solteiras dançam o Ahouch frente a frente. Segurando as mãos, os dançarinos em linha sacodem seus corpos, balançando pesadas jóias de prata e âmbar, as quais, através dos movimentos, fazem um outro tipo de ritmo.

Esta dança tem como objectivo a unidade do povo. Para participar, todos devem saber a coreografia e executá-la com perfeição.

Schikatt:

Dança erótica e popular praticada pelas mulheres marroquinas.

Muitos movimentos têm origem nas danças orientais. Esta dança é o resultado da combinação da influência dos movimentos das danças árabes, com o folclore berbere.

As dançarinas usam camadas de véus cobrindo o corpo, do pescoço ao tornozelo, e se enfeitam com muitas jóias; elas cantam, tocam instrumentos e marcam o ritmo batendo as palmas enquanto dançam.

O schikatt tem um passo característico chamado rakza, quando a dançarina bate com os pés como na dança flamenca.

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