Alquimia no Egito e na Arábia II

Posted Nov 23, 2008 by Koelveitch / comments 0 comments / Print / Font Size Decrease font size Increase font size

"Os mistérios do Egipto são, além do mais, um testemunho do parentesco entre doutrinas caldaicas, a literatura hermética e o neoplatonismo..."

                                                                II

Os mistérios do Egipto são, além do mais, um testemunho do parentesco entre doutrinas caldaicas, a literatura hermética e o neoplatonismo; pois, uma das fontes de Jâmblico seriam os Oráculos Caldaicos, redigido o segundo século de nossa era, onde velhos mitos babilónicos são associados a teorias filosóficas em torno da heliolatria zoroastriana. Mas, enquanto para os neoplatônicos o conhecimento da divindade é um meio de comunicação com os seres espirituais, para Jâmblico isso poderia ser conseguido pela conjuração mágica, embora guiada pela filosofia.  

Tal parentesco é visível nos livros do Corpus Hermeticus - colecção de tratados - escritos em grego, provavelmente compostos entre o primeiro e o fim do terceiro século de nossa era, atribuídos ao personagem lendário Hermes Trimegistro, nome também atribuído ao deus Thot, revelador das técnicas e da escrita. São revelações da sabedoria divina, nas quais o cosmo constitui uma unidade cujas partes são interdependentes - princípio este que se tornou básico na alquimia. Mas, para tornar este princípio operativo e actuante na prática, seria necessária uma sabedoria hermética, secreta e sagrada. Evidentemente os tratados herméticos não são de alquimia, mas estabeleceram, além de preceitos de conjuração dos deuses em prol da satisfação de anseios humanos, inclusive imortalidade, uma interpretação sapiencial das técnicas mágico-míticas egípcias.  

Um dos primeiros textos alquímicos helenísticos é a Physica kay Mistika do pseudo Demócrito, do segundo século de nossa era. O livro inicia-se por uma revelação. O autor é conduzido ao templo de Mênfis pelo mago caldeu Ostanes. Uma das colunas abre-se e mostra o aforismo zoroastriano: "a natureza é encontrada pela natureza, a natureza vence a natureza, a natureza domina a natureza". Assim é um tratado grego que confessa uma influência caldaica Na alquimia grega. O interessante é que as receitas mágicas para obtenção do ouro e da imortalidade são, neste livro, justificadas fazendo apelo, de um lado, à teoria grega dos quatro elementos e, do outro, à mântica caldaica da astrologia e do culto do fogo.   

Continua….

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