História da Dança a arte de mover o corpo III

Posted Jan 26, 2009 by Koelveitch / comments 0 comments / Print / Font Size Decrease font size Increase font size

"...A interpretação de saltos espectaculares e giros rápidos caracteriza as danças eslavas..."

O carácter cerimonial e profundamente religioso que certamente está na origem da dança manteve-se vivo na tradição oriental, em que cada movimento, cada gesto dos participantes e até seus trajes estão carregados de simbologia. No teatro chinês, a cor tem uma significação precisa, de modo que a hierarquia dos personagens, sua idade e características são representados por uma determinada cor. O mesmo acontece com a maquilhagem, que encerra um significado característico. No Japão, o teatro nô tem seu equivalente camponês na dengaku; o kabuki, por sua vez, utiliza as danças pantomímicas do repertório clássico.

A atracção que o exotismo dos países do Extremo Oriente exerceu sobre a arte europeia desde o fim do século XIX se manifestou tanto no repertório e nos modos de destacados bailarinos contemporâneos como na inspiração de bales modernos. No arquipélago indonésio, a dança é uma actividade da qual todos participam.

A configuração de um género de dança circunscrito ao âmbito teatral determinou o estabelecimento de uma disciplina artística que, em primeira instância, ocasionou o desenvolvimento do bale e, mais tarde, criou um universo dentro do qual se desenvolveram gêneros como os executados no music-hall, no cabaré e as manifestações cinematográficas de dança. Nesse contexto surgiram modalidades como o sapateado e o swing e figuras como Josephine Baker, Ginger Rogers, Fred Astaire e Gene Kelly.

A divulgação da dança se deu também fora do mundo do espectáculo, principalmente nas tradições populares. A penetração da tradição musical da África negra no continente americano teve, por exemplo, papel decisivo. Ao lado da tradição ocidental europeia e da ancestral cultura pré-colombiana, esse fenómeno exerceu uma influência determinante no nascimento de danças como a cueca chilena, o bambuco colombiano, o maracatu, o samba e vários outros ritmos brasileiros, além das muitas danças da área geográfica antilhana: rumba, guaracha, conga, mambo, merengue etc.

Multiplicidade semelhante se observa nos bailados populares europeus. A interpretação de saltos espectaculares e giros rápidos caracteriza as danças eslavas, entre as quais cabe citar a prisiadka e o gopak russos, a xarda húngara e a polca da Boémia. Outros traços, como o ritmo dos movimentos e a sincronia no deslocamento dos bailarinos, são definidores de danças como a tarantela italiana e a jota, a muifñeira, a sardana ou a espatadanza de diversas regiões espanholas. Nesse âmbito destaca-se, pela singularidade, o bailado flamenco, característico da Andaluzia, no sul da Espanha, que apresenta certas afinidades com as danças orientais: são muitas suas manifestações e entre elas cabe citar o sapateado, a seriguiriya e a alegria.

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